Sei que o verbo hoje tá meio peçonhento, não sofro de TPM mas tudo é possível. RM conta a história da Estrada real, das curvas e montanhas que encantam qualquer estrangeiro, mesmo alguns brasileiros, indica o bem montado site oficial. Mas faltou sinalizar que a chegada a Belo Horizonte pela BR 040, pra quem vem do RIO, era uma das mais belas portas de uma capital deste país. Eu disse ERA – poucos anos atrás serpenteávamos pelas montanhas e, de repente, com um espanto pela surpresa, no alto de uma grande curva, vislumbrávamos enfim a cidade grande, à noite então era uma beleza! Agora avançamos pela estrada e vamos encontrando primeiro as casas dos inúmeros condomínios, alguns cercados por altos muros, depois vemos montanhas salpicadas de mansões peladas de árvores, do lado esquerdo uma quase e imensa favela, entre galpões e anúncios, placas imundas e desconexas. Chegamos ao alto da curva da porta da cidade sem muita surpresa, sabemos que a metrópole está logo ali. E onde antes se viam apenas os telhados das casas e uma favela simpática salpicando o morro, surgem agora paredes de horrorosos outdoors, a câmara municipal derruba por aqui todas as tentativas de limpar a cidade – e ainda colabora para a poluição aprovando corredores de até 10 cartazes emendados uns nos outros. A propaganda nos tira a perspectiva, só nos resta adivinhar, entre as brechas dos tapumes, a cidade lá embaixo. Do lado direito é pior. Antes, deslumbrante a Serra do Curral, que emoldurava a cidade, agora um paliteiro de edifícios de luxo, destinados aos novos pobres ricos, aqueles que acham o máximo morar num prédio de 30 andares, 4 apartamentos por andar, 3 quartos espremidos em 80 metros quadrados, uma minúscula varandinha e 4 vagas na garagem, claro! A Serra não se vê mais, não há brechas de paisagem nesse horrendo paliteiro. Aqui embaixo, milhares de carros se movimentam qual formigas de um formigueiro recém-esmagado, correm desorientados e engarrafados em ruas estreitas até cair na 040, que nesse ponto já virou uma avenida.